Enquanto Cuba já está oferecendo
curso de pós-graduação em xadrez, visando
a profissionalização de seus professores na
modalidade, o Brasil caminha para a implantação
do jogo na grade curricular das escolas. Por enquanto, cidades
como São Paulo ou Salvador trabalham com a adesão
voluntária de estudantes às aulas teóricas
e práticas oferecidas nas redes de ensino particular
e pública.
“Em Cuba, o xadrez está na grade
curricular desde 1939”, contrapôs o mestre internacional
Gerardo Lebredo, diretor do Instituto Sul-Americano de Xadrez,
de Cuba, em visita à sede do Grupo A TARDE, onde foi
recepcionado pelo diretor executivo Renato Simões Filho.
Pela primeira vez em Salvador, Lebredo estava
acompanhando o Grande Mestre Internacional Giovanni Vescovi
e sua filha, Katherine Vescovi, na visita. Os três foram
convidados para participar da 17ª Copa Sigma de Xadrez,
que começa neste sábado 26, às 14 horas,
e será encerrada no próximo domingo, 27, ao
meio dia, no Colégio Isba, que é parceiro do
xadrez baiano, em Ondina.
Também acompanharam a visita o procurador
do Estado e escritor Luiz Cláudio Guimarães
e o secretário da FBX, Wilter Pereira. Lebredo observou
que o esporte é muito popular em seu país e
está presente na cultura nacional desde o século
18. O resultado, segundo atestou, são estudantes mais
concentrados nas aulas e bons resultados nos estudos, com
a ajuda do xadrez.
Brasil - O mesmo movimento está sendo
registrado no Brasil, segundo o grande mestre internacional,
o brasileiro Giovanni Vescovi, ao defender a inserção
da esporte como ferramenta pedagógica. “Cerca
de 40% da rede pública já está aderindo”,
disse, incluindo na lista a própria filha, Katherine,
estudante da Escola Morumbi, em São Paulo.
Ainda segundo ele, além de facilitar
a aprendizagem de disciplinas, principalmente na área
de exatas, o xadrez contribui como facilitador para falar
outros idiomas. “Tenho dificuldade de me comparar, no
antes e depois, porque praticamente desde que nasci jogo xadrez.
Não sei como seria se não tivesse essa ferramenta”,
declarou o GMI.
Vescovi fala idiomas como o russo, inglês,
espanhol e alemão fluentemente. “Aprendi a falar
sueco sozinho”, acrescentou. A filha Katherine, campeã
brasileira sub-10, segue caminho parecido: “Só
sei falar espanhol”, respondeu a menina, mais interessada
em desenhar no quadro de uma das salas. Pausa nos desenhos,
alguns imitando as pessoas presentes, só para falar
do que gosta ou não. “Eu gosto de campeonatos
e de atacar no jogo. Só não gosto de perder”,
respondeu, antes de voltar aos desenhos.
Ranking - Em relação a Cuba,
o Brasil sai em desvantagem, quando o assunto é a classificação
no ranking mundial. “Nós estamos entre os 100
do mundo, Cuba entre os 20 primeiros”, certificou Giovanni
Vescovi. O Brasil tem cerca de oito grandes mestres enquanto
em Cuba há cerca de 20, segundo Lebredo.
O diretor Renato Simões Filho disse
que o grupo A TARDE dará incentivo ao xadrez em todos
os seus veículos. “Aqui nós temos um campeonato
interno de xadrez”, lembrou.
A 17ª edição da Copa
Sigma de Xadrez vai reunir 60 jogadores da Bahia e Estados
vizinhos. O principal jogador baiano é o mestre fide
Paulo Jatobá.
Fonte: Luciano da Matta / Agência
A TARDE


-> voltar
para página inicial
| voltar
para página de notícias